Categoria: Poesias

  • spam – poema

    spam

    descarte
    seu ego
    não pense

    descartes
    logo
    clicará

    destarte
    queimará até que

    seja

  • Soneto do beta – Poema

    Soneto do beta
    
    Sete anos de mangina Jacó betava  
    Chadão, pai de Raquel, stacey bela;  
    Mas não queria ser alfa, era um beta,  
    E a ela só por pussy pretendia.
    
    Os dias, na copagem de um só dia,  
    Passava, contentando-se com segui-la;  
    Porém o chad, usando de moggada,  
    Em lugar de Raquel lhe dava becky.
    
    Vendo o triste beta que com bluepill  
    Lhe fora assi negada a sua dama,  
    Como se a não tivera conquistado;
    
    Começa de servir outros mil anos,  
    Copando: – Mais betara, se não fora  
    Para tão longo coito tão curta a pill!
    
    P.S.: releitura do poema "Sete anos de pastor Jacó servia", de Camões

  • formigão – Poema

    formigão

    a pequena formiguinha quis
    metamorfosear
    mergulhando na relva
    quis quis quis?

    ela cresceu 
    agora um formigão 
    mas continuava uma
    pequenina formiguinha
    não importa quantas folhas
    perto delas, seria sempre…

    for me, gone
    for you,
    just leaves

  • o afogamento – Poema

    o afogamento

    meu sonho
    é ser um corpo sem órgãos

    mas sou um órgão sem corpo
    sem notas para tocar,
    um órgão sem catedral,

    um órgão
    cem corpus
  • diable royale – Poema

    diable royale

    quatro, nove, dez
    doze, dezessete!
    vinte...
    [será que não estou velho já?

    vinte e um!

    mas o dealer me diz
    que não é blackjack, é 20
    hora de (a)pagar as fichas
  • balão – Poema

    balão

    Fui levado até a oficina de Adão
    para ser calibrado.
    Colocaram o compressor em minha boca,
    fui inflado até me esferizar,
    para ser solto pelos ares.

    Voei.
    Cheio de mim mesmo, e de ar.
    Me inclinando contra o vento
    para decidir meu rumo nos céus.
    Quase fui triturado pela turbina
    que veio me buscar.

    Cheguei perto demais do sol,
    mas meu nome não é Ícaro
    então o abracei.
    Só estourei quando caí no mais completo vácuo,
    após a morte de todas as estrelas.
  • inerte – Poema

    inerte 

    a criança acorda de mais uma noite de sono
    decide finalmente ser o algoz. uma pedra
    escolhida a dedo por ser uma pedra qualquer
    ela arremessa a pedra como se alcançasse algo
    mas a pedra não quica no rio
    afunda

    levada pelas correntezas
    a pedra não lutou contra o menino
    arrastada por todo o leito fluvial
    atingindo diversos peixes
    mas sem tocar nenhum

    a pedra conhece todos os oceanos,
    todos os leitos, todo a predação
    tantas oportunidades de metamorfose
    se tornar bauxita, rubi, topázio
    participar de aneis, armaduras, parafusos
    mas ela permanece sendo arrastada
    sem questionar
    sem desviar
    sem tentar
    mesmo contemplando o ardor das rochas magmáticas
    as esculturas criadas do mármore
    até mesmo a velocidade do silício

    uma massa solta
    indiferente à fundição que a espera
    a pedra quer ser escolhida em paz
    sem sedimentar sua existência
    até virar mais uma pedra

    não vou, não sou, eu quero
    quero ser arremessado
    um Geworfenheit
    afundando até morrer
  • besouro – Poema

    besouro

    Sempre fui de brincar
    com besouros. Deixando-os de ponta cabeça,
    vendo se contorcerem,
    sem desconfiar que quando enfim voltassem,
    logo seriam pisoteados.

    Quando a vida me deu antenas,
    nem tentei me levantar.
  • listas – Poema

    listas

    listas de leituras que vão desmontar seu mundo
    listas dos filmes mais aclamados pela comunidade
    listas das paisagens mais lindas
    listas dos melhores produtos para comprar
    lista das melhores listas de música alternativa
    listas de experiências imperdíveis para ter
    antes de morrer

    ordenamos e classificamos e nomeamos,
    não assistimos nem jogamos nem ouvimos,
    buscando eficiência máxima
    queremos prazer e erudição
    não vamos desperdiçar nossa tarde

    mas sempre, antes de dormir,
    procuro a lista de emoções que deveria sentir.
    quero meu rótulo e não encontro,
    tampouco acho a crítica do meu personagem,
    nem o manual de instruções,
    nem o roteiro que eu devo seguir.

    será que estou me representando certo?

  • a insônia tem sabor – Poema

    a insônia tem sabor

    a insônia tem sabor
    de sonhos ainda não começados
    na iminência de se realizarem
    mas impedidos pelo ruído estridente
    do maquinário cerebral

    sonhos que nunca verão a luz do dia
    tampouco a luz do sono
    oriundos de uma mente frágil e inquieta
    incapaz de ter um pensamento
    [quem me dera um pesadelo!]
    para que uma fagulha de vida
    nascesse em minhas entranhas

    a insônia tem sabor de mágoa
    uma cachoeira de lágrimas salgadas
    que flui pelas correntezas do arrependimento
    eternos erros passados
    e infinitas certezas de falhas no futuro

    a mais completa certeza do erro
    é pensada de maneiras infindáveis
    na cama de um lado para o outro
    do outro para o lado
    certeza da decepção cometida
    minha mente com sono
    oficina de insegurança

    a insônia tem sabor de morte
    uma morte da esperança
    esperança de talvez acordar cedo para um novo dia
    tem sabor podre da morte
    que se esconde sob minha pele
    deste meu corpo que dorme até cinco da tarde
    [em uma terça feira comum]

    a insônia tem sabor
    agora, de tanto pensar em sabores
    além de cansado e irritado
    estou com fome