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descarte
seu ego
não pense
descartes
logo
clicará
destarte
queimará até que
seja

Soneto do beta Sete anos de mangina Jacó betava Chadão, pai de Raquel, stacey bela; Mas não queria ser alfa, era um beta, E a ela só por pussy pretendia. Os dias, na copagem de um só dia, Passava, contentando-se com segui-la; Porém o chad, usando de moggada, Em lugar de Raquel lhe dava becky. Vendo o triste beta que com bluepill Lhe fora assi negada a sua dama, Como se a não tivera conquistado; Começa de servir outros mil anos, Copando: – Mais betara, se não fora Para tão longo coito tão curta a pill! P.S.: releitura do poema "Sete anos de pastor Jacó servia", de Camões

formigão
a pequena formiguinha quis
metamorfosear
mergulhando na relva
quis quis quis?
ela cresceu
agora um formigão
mas continuava uma
pequenina formiguinha
não importa quantas folhas
perto delas, seria sempre…
for me, gone
for you,
just leaves

o afogamento
meu sonho
é ser um corpo sem órgãos
mas sou um órgão sem corpo
sem notas para tocar,
um órgão sem catedral,
um órgão
cem corpus

diable royale
quatro, nove, dez
doze, dezessete!
vinte...
[será que não estou velho já?
vinte e um!
mas o dealer me diz
que não é blackjack, é 20
hora de (a)pagar as fichas

balão
Fui levado até a oficina de Adão
para ser calibrado.
Colocaram o compressor em minha boca,
fui inflado até me esferizar,
para ser solto pelos ares.
Voei.
Cheio de mim mesmo, e de ar.
Me inclinando contra o vento
para decidir meu rumo nos céus.
Quase fui triturado pela turbina
que veio me buscar.
Cheguei perto demais do sol,
mas meu nome não é Ícaro
então o abracei.
Só estourei quando caí no mais completo vácuo,
após a morte de todas as estrelas.

inerte
a criança acorda de mais uma noite de sono
decide finalmente ser o algoz. uma pedra
escolhida a dedo por ser uma pedra qualquer
ela arremessa a pedra como se alcançasse algo
mas a pedra não quica no rio
afunda
levada pelas correntezas
a pedra não lutou contra o menino
arrastada por todo o leito fluvial
atingindo diversos peixes
mas sem tocar nenhum
a pedra conhece todos os oceanos,
todos os leitos, todo a predação
tantas oportunidades de metamorfose
se tornar bauxita, rubi, topázio
participar de aneis, armaduras, parafusos
mas ela permanece sendo arrastada
sem questionar
sem desviar
sem tentar
mesmo contemplando o ardor das rochas magmáticas
as esculturas criadas do mármore
até mesmo a velocidade do silício
uma massa solta
indiferente à fundição que a espera
a pedra quer ser escolhida em paz
sem sedimentar sua existência
até virar mais uma pedra
não vou, não sou, eu quero
quero ser arremessado
um Geworfenheit
afundando até morrer

besouro
Sempre fui de brincar
com besouros. Deixando-os de ponta cabeça,
vendo se contorcerem,
sem desconfiar que quando enfim voltassem,
logo seriam pisoteados.
Quando a vida me deu antenas,
nem tentei me levantar.

a insônia tem sabor
a insônia tem sabor
de sonhos ainda não começados
na iminência de se realizarem
mas impedidos pelo ruído estridente
do maquinário cerebral
sonhos que nunca verão a luz do dia
tampouco a luz do sono
oriundos de uma mente frágil e inquieta
incapaz de ter um pensamento
[quem me dera um pesadelo!]
para que uma fagulha de vida
nascesse em minhas entranhas
a insônia tem sabor de mágoa
uma cachoeira de lágrimas salgadas
que flui pelas correntezas do arrependimento
eternos erros passados
e infinitas certezas de falhas no futuro
a mais completa certeza do erro
é pensada de maneiras infindáveis
na cama de um lado para o outro
do outro para o lado
certeza da decepção cometida
minha mente com sono
oficina de insegurança
a insônia tem sabor de morte
uma morte da esperança
esperança de talvez acordar cedo para um novo dia
tem sabor podre da morte
que se esconde sob minha pele
deste meu corpo que dorme até cinco da tarde
[em uma terça feira comum]
a insônia tem sabor
agora, de tanto pensar em sabores
além de cansado e irritado
estou com fome