Sempre gostei do Sonic. Assim como [eu?] o Sonic corre em busca de seu sonho. Sônica é a velocidade com a qual eu corro dos afetos que me buscam.
Sonic salva os animais sequestrados. transformados em robôs, eficientes em seguir ordens. [talvez ele pudesse me salvar] Estou nessa máquina pronta para perecer.
Uma vez, eu li um velho alemão falar sobre porcos espinhos morrendo no inverno. Como se aproximar? Como se aquecer? Sem se espetar? Sem se tornarem porcos sem espinhos.
Mas o animal amedrontado, temendo mais uma sangria, prefere o amargo abraço da hipotermia ao aconchego do sangue fervente.
talvez eu não seja o Sonic
não sou. Sou um porco sem espinhos, chafurdando na neve. Em passos lentos. Esperando ser perfurado para descobrir o que é amor.
Logo quando caí do galho, Sun Wukong me segurou pelo cangote e gritou: u u u u u u u.
Os bonobos me espiam. Fujo fujo fujo não sou não não sou não. Cuspo o bonobo para fora do peito. ele grita sem parar
Metrô descascando os trilhos. Macaco aranha não cobra bilhete. Rápido pulando pelado, pelas persianas dos prédios. Eu pulei fui mais. obstáculo na linha azul
Há a pele lisa, sem pelos sem grito. Mico martirizado. Editou a genética e fez a barba.
Genes, por que me fizeste comum, se sabias que eu era Deus, se sabias que não sou meu vizinho.
Tango orango orango tango, se eu fosse um caçador, poderia tocar um orangotango. Caco macaco caco, não sou, não?
Eu não deveria pular, mas essa vodka, mas esse barbeador, estão me cortando. Trezentos e treze espécies de macacos
extintas
PS: Paródia do poema “Poema de Sete Faces”, de Carlos Drummond de Andrade
gostaria que todos meus amigos morressem de uma forma trágica todos em um único momento
assim nunca mais eu precisaria encarar ninguém e teria motivo suficiente para pisar sem ser tocado com os sobreviventes limpando minhas sujeiras e bebendo dos meus rastros
dessa forma pode ser que eu não precise enfrentar a remota possibilidade de perceber que talvez eu não seja um bom amigo
me espetaram com seu tridente tentaram me operar lobotomização
me libertei da cruz e da balança fugi do átomo e da grife apaguei o número cheguei ao Fim.
mas não restava mais
nada
se não existe nada me nadificarei nadar-me-ei para nadar até o fim
nadando agora, numa tela banheira de sangue tão bela minha nave espacial feita dos parafusos da minha prisão para voar com ainda mais dor até poder nadar nas estrelas