Tag: verso livre

  • arbitrariedade da minha defesa – Poema

    arbitrariedade da minha defesa

    Isso é um significante?
    ou um significado?

    De qualquer forma,
    não me interessa.
    Signos não existem,
    ideias são convenções.

    ...
    Mas,
    pra você:
    sigo significando
    algo?
  • caco macaco caco – Poema

    caco macaco caco

    caco macaco caco
    macaco caco macaco
    maca macaco maca
    acaco maca macaco
    Primata romano proletário

    macaco macaco macaco
    chimpanzé gorila orangotango
    nós nós nós
    saber saber saber
    cristão semita xiita
    Fogueira neles

    macaco caco macaco
    caco maca acaco
    sagui mico mico leão
    Crianças perfuradas
    sangue sangue sangue
    grite grite grite
    Joga bosta nele
    macaco macaco macaco

    bugio bonobo babuíno
    platão hobbes nietzsche
    caco macaco caco
    darwin watson crick
    bomba bomba bomba

    macaco caco macaco
    caco macaco caco
    pula pula pula
    queima queima queima
    oceano subiu subiu
    cidade sumiu sumiu
    macaco sumiu sumiu

    sumiu
  • amizade – Poema

    amizade

    gostaria que todos meus amigos morressem
    de uma forma trágica
    todos em um único momento

    assim nunca mais eu precisaria
    encarar ninguém
    e teria motivo suficiente
    para pisar sem ser tocado
    com os sobreviventes limpando minhas sujeiras
    e bebendo dos meus rastros

    dessa forma pode ser
    que eu não precise enfrentar
    a remota possibilidade
    de perceber que talvez
    eu não seja um bom amigo
  • a árvore e a floresta – Poema

    a árvore e a floresta

    eu, você, ele
    nós, vocês, eles

    me perdi em nós
    "nós" não é "eu"
    nós não somos eu

    "eus"
    onde está?
  • diable royale – Poema

    diable royale

    quatro, nove, dez
    doze, dezessete!
    vinte...
    [será que não estou velho já?

    vinte e um!

    mas o dealer me diz
    que não é blackjack, é 20
    hora de (a)pagar as fichas
  • balão – Poema

    balão

    Fui levado até a oficina de Adão
    para ser calibrado.
    Colocaram o compressor em minha boca,
    fui inflado até me esferizar,
    para ser solto pelos ares.

    Voei.
    Cheio de mim mesmo, e de ar.
    Me inclinando contra o vento
    para decidir meu rumo nos céus.
    Quase fui triturado pela turbina
    que veio me buscar.

    Cheguei perto demais do sol,
    mas meu nome não é Ícaro
    então o abracei.
    Só estourei quando caí no mais completo vácuo,
    após a morte de todas as estrelas.
  • sonho – Poema

    sonho

    perdido
    errando nas vielas de
    um palco onírico
    e a realidade
    uma espiral ao mesmo ponto de antes

    sonhei com você esta noite
    (ou nos vimos semana passada?)
    irrelevante
    [apenas sentir]

    angústias em todo lugar
    ferindo minha pele imunda
    me faça fugir
    [para algum lugar bom

    escapo
    admiro a imensidão
    retorno
    minha carcaça corpórea
    sou?
    prisioneiro da carne
    eterno fluido transcendente

    não te vejo mais
    capto apenas impressões
    [que escorrem igual suas lágrimas naquela noite]
    do que um dia nós fomos
    meu cristalino converge toda a realidade
    em uma fotografia opaca de mim mesmo
    não esboço mais
    nem sentimentos nem razões
    nenhum rascunho de alma nasce do meu lápis sem ponta
    tão presente e tão longínquo
    por dentro grito
    [mas não preste atenção

    queimo minha face com o rubor
    a falsa lanterna que me dá esperança
    e proclamo
    mas danço conforme o palco
    e a plateia

    não lembro mais
    perdi a lembrança da maciez do seu toque
    acho que esqueci quem sou
  • festas – Poema

    festas

    luzes radiantes rasgando minha retina
    dormente
    sons estonteantes em minha mente sussurram
    ausente
    “olhe as perturbações que sua maldita cabeça
    sente
    não é seu lugar, até quando vai continuar,
    demente”
    finjo que não ouço, mas está em todo lugar
    as vezes penso, se meu lugar não é em marte
    longe de tudo isso, quem sabe assim eu seja
    feliz